segunda-feira, 6 de abril de 2015

Spring Break


O que começou a ser planeado como uma escapadela a dois, terminou por ser uma semana de férias a 4. A preparação destas férias foi um turbilhão, o âmbito previsto inicialmente, escapadela romântica, passou rapidamente para uns dias em família. Depois foi a saga do destino, Cabo Verde é um destino de que muito gostamos, não só pela relativa proximidade geográfica, mas também pela simpatia com que os cabo-verdianos recebem e pela facilidade de integração dos meninos.

Tudo parecia conjugado para mais uma visita ao arquipélago das 10 ilhas que, segundo a lenda, resultam dos pedaços de terra sacudidos das mãos de Deus, quando terminou a criação do mundo. Dizem os cabo-verdianos que os pedaços que saltaram de cada um dos 10 dedos originaram uma ilha e as dez formam então esse país que não nos cansamos de visitar.

Poucos dias antes da nossa partida íamos acompanhando a situação meteorológica do Sal e a coisa parecia não caminhar para as ansiadas férias de sol e praia. A previsão apresentava nuvens, temperaturas na casa dos 19-20ºC e vento frio… Esta previsão levou-nos a procurar consolo por outras paragens, equacionámos o nordeste brasileiro, a Florida, uma citybreak por Madrid e por último estivemos a um clique de reservar uma semana na neve. Isto de ter facilidades nas passagens aéreas tem coisas boas e más, por um lado, é chato estar na incerteza de embarcar ou não, sempre sujeito à disponibilidade, mas por outro, há o lado bom de poder fazer as coisas em cima do acontecimento, sem acréscimos de tarifa. Isto permitiu-nos, vistas as previsões meteorológicas mais assertivas, acabar por regressar ao plano inicial, viajando para o Sal, onde nos esperava o céu praticamente limpo, temperaturas de verão e aquele mar turquesa que nos deslumbrou quando lá fomos pela primeira vez, faz este Agosto 12 anos.

As férias foram perfeitas, os meninos deliraram com a praia, a piscina e a diversão proporcionada pela fantástica equipa de animação do hotel. Passámos uns dias em família, todos juntos, e que bem que soube este tempo partilhado a 4! Foi um aperitivo delicioso para as 3 semanas que nos aguardam no verão. Mal podemos esperar….

quinta-feira, 12 de março de 2015

Dia do Pai

Com o dia do Pai a chegar a educadora do Francisco pediu-me para escrever que é para mim ser Pai. 
Saiu isto...



segunda-feira, 19 de maio de 2014

Novo Rumo?


Sabes que as coisas estão diferentes quando, depois de ser campeão, ganhar a taça de Portugal e a taça da Liga, a época não é considerada perfeita pois ficou um amargo de boca por o Benfica não ter ganho a liga Europa. Que bom sinal… 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Benfica

Sou benfiquista desde que me conheço. Benfiquista de ir ao estádio, de sofrer e festejar com a garganta seca e a voz embargada, de sentir o peso da história do clube, de saber quem marcou os 5 penaltis contra o PSV na final de Estugarda, pois saber quem falhou o sexto é demasiado fácil.

Sou benfiquista dos que nunca assobia a equipa durante os 90 minutos de jogo. De igual modo, raramente me entrego à emoção dos cânticos de incentivo. Como noutras coisas, também no espetáculo do futebol gosto de estar perto, mas deixo alguma distância. Absorver, mas não me envolver.

Desde que me lembro de assistir aos jogos do Benfica, penso que a equipa atual é a que melhor homenageia a história do clube, nomeadamente a época áurea das conquistas dos anos 60. Nos meus 35 anos de vida, convivi com um Benfica de várias caras, ora com uma equipa consistente, ora com uma equipa virtuosa e também, durante demasiado tempo, com uma equipa deprimente.

O Benfica tem hoje uma Equipa no verdadeiro sentido da palavra, tem um Capitão, tem Referências e isso é tudo tão importante! É essencial que façam parte do plantel jogadores com 7, 8 ou 10 anos de casa, convivendo com os que vão chegando ou com os que são formados no clube. Para além da questão da mística, há a questão fulcral da adaptação ao clube, ao país ou, no caso dos da formação, à dimensão da primeira equipa… Foram tantos anos desperdiçados que, verificar agora que isto acontece, enche-me de orgulho benfiquista.

Ontem apeteceu-me gritar, cantar, saltar, abraçar alguém. Estando só com os miúdos em casa, tive que controlar-me para não ir acordar a Joana para lhe dizer que o Benfica estava na final, que tinha sido Equipa, jogando em doses iguais e brutais com o coração e com a cabeça.

Foi um gosto ver o Benfica eliminar a Juventus, à beira de se tornar tri-campeã italiana, e que se revelou, nesta semifinal, uma equipa forte mas ineficaz, presunçosa mas queixinhas. Foi bonito ver uma equipa italiana a ser derrotada por um futebol matreiro, adjetivo tantas vezes usado para definir as equipas do Calcio. O Benfica foi isso mesmo, matreiro, defendendo mas nunca abdicando de tentar atacar. Foi uma lição e, para mim, um gosto!

Os jogadores, esses foram mais uma vez heróis, mesmo sendo injusto, vou destacar 3, o Oblak, que garantiu a passagem à final com uma defesa brutal já no período de descontos e que poderia ter feito regressar o fantasma do minuto 92 (embora a defesa tenha sido para aí aos 95), o capitão Luisão, o único tricampeão do plantel, que ontem tirou uma bola de golo em cima da linha e, finalmente, Enzo Perez, o motor desta equipa que personifica o que é o espirito de equipa. Este homem chegou para ser artista, jogar numa ala, livre para fintar e assistir colegas para o golo. Hoje é um operário, permite que outros exibam o seu talento enquanto ele garante os equilíbrios da equipa, trabalhando de forma incansável no meio-campo. A sua entrega é exemplar, já conquistou todos os adeptos, mesmo os que teimavam em não esquecer a sua fuga na primeira época.

Há três finais em disputa, os resultados serão os que forem, mas uma coisa é certa, o cântico que por aí ecoa “o Campeão Voltou” parece-me verdadeiro. Um Campeão pode não ganhar sempre, ninguém ganha, mas está sempre na luta, forte, honrado e obstinado. 
Viva o Benfica!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Batalha

No outro dia ouvi a Susana Romana a falar do seu percurso como argumentista e professora de escrita criativa e uma das coisas que ela dizia era: “escrevam, não sejam vítimas do cursor a piscar, escrevam, nem que sejam baboseiras, insultos, whatever, não percam é a batalha contra o cursor que pisca e pisca e pisca, como se vos estivesse a gozar, alguma coisa surgirá do turbilhão de palavras”.  
Tendo a concordar com ela, coisas mais ou menos interessantes surgem a partir do conjunto de palavras, mas ainda não consigo superar o cisma do escrever algo totalmente desinteressante, até para mim mesmo. Daí que vá perdendo, dia após dia, a batalha para o cursor que continua a piscar sem sair do sítio.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ui, já passaram 3 meses


Passaram 3 meses desde o último post…
O que aconteceu nestes meses?
Para além de várias ites na criançada, uma ida à neve que me permitiu saciar a fome da adrenalina do snowboard, a família teve a oportunidade de fazer uma viagem que vinha sendo adiada há anos. Visitar um pouco da Califórnia.
Eu bem tinha razão, isto de manter o blog é tão difícil como manter regularidade na ida ao ginásio.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Fim de ano antecipado


Eu que não gosto de mentir às crianças, permiti que se antecipasse a meia-noite em mais de duas horas... Ai os meus princípios...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Conversas Antigas

Na altura do Natal revêem-se amigos e ex-colegas, fazem-se almoços e jantares para os quais, muitas vezes, a vontade de ir é pouca, mas que depois se revelam grandes momentos de recordação e celebração de amizade.

As conversas são as mesmas há anos, muitas vezes é já pouco o que nos une, mas o reviver dos momentos que partilhamos, sejam eles alegres, caricatos ou até mais tristes, resultam geralmente em duas horas de intenso gozo e dos quais saímos com o costumeiro, “temos de fazer isto mais vezes”.

A lógica deve ser igual à das crianças que sentem grande conforto em ver sempre os mesmos filmes ou ouvir sempre as mesmas histórias. Somos mesmo animais de hábitos e pouco dados à mudança.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Desnorte - soco no estômago

Tal como o João Miguel Tavares tão bem aqui explica,  também tento ser fundamentalista da verdade, evitando qualquer tipo de mentiras, mesmo as mais inofensivas do género, amanhã compramos isso... Ontem, em completo desnorte, quebrei a minha regra e cedi à mentira.

A Joana anda muito focada na morte, pergunta muitas vezes se a avó, o avô, o pai, a mãe vão morrer…

Ontem ao deitar, depois da história e já na parte dos miminhos (que, estou em crer, me mimam mais a mim do que a ela) ela reparou que a minha barba já vai tendo alguns pelos brancos. De repente ficou com a cara meia tristonha e perguntou-me porquê que eu tinha a barba branca. Eu, parvo, respondi que estava a ficar velhote…  

O que se seguiu, e que agora vai parecer uma parvoíce, na altura deixou-me totalmente desprevenido e desnorteado.

A palavra velhote fez soar a sineta do tema morte naquela cabecinha linda que já estava cansada, a pedir caminha.

Pai, tu não vais morrer nunca pois não?
Esta não me assustou, já respondi a esta muitas vezes nos últimos meses
Joana, só daqui a muito muito, muito, muito tempo!,

A que se seguiu é que teve a força de verdadeiro soco no estômago.
E eu, Pai? Eu não vou morrer nunca pois não?
O que é que se responde a isto? Arrisquei a verdade:
Oh Joana, só daqui a muitos muitos muitos muitos muitos  muitos muitos muitos muitos anos!

Eu, que me tenho como um mestre da pedagogia de trazer por casa, borrei a pintura toda. Esqueci-me que por muitos muitos que eu diga, para uma menina de 4 anos tudo é, no máximo, depois de depois de amanhã. Que falhanço!

Perante a sua angústia e lágrimas de desalento e tristeza pura, não tive outra alternativa. Cedi, e abandonei rapidamente o meu princípio de dizer sempre a verdade e menti. Disse-lhe que não íamos morrer, que ficaríamos sempre juntos, os 4, que me tinha enganado a explicar.

Ela acalmou, adormeceu calmamente e dormiu bem. Eu, bem pelo contrário…

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Fim de semana de sonho


Desfeito o sonho da viagem à neve sem pagar, passou-se um ótimo fim de semana em família do qual só dispensava a visita aos Lusíadas por via de mais uma ite do Francisco.

Foi um fim de semana bom, o frio propunha que ficássemos em casa, e sábado assim foi, com o aquecedor a fazer de lareira, lá tratámos de enfeitar a casa para a época natalícia. Este ano com recurso a algumas decorações home made que dão um toque ainda mais especial ao advento.

Terminadas as decorações, este ano, por iniciativa da Joana, tivemos direito a uma inovação. Já depois de tirada a foto da praxe com a Joana a colocar um enfeite no Pinheiro, foi tempo de fazer uma roda e de cantar uma música natalícia, meia inventada meia real… Filhas com queda para o espetáculo, dá nisto.

Claro que as decorações só foram possíveis pois aproveitamos a hora da sesta do francisco.
Domingo, dia da restauração da independência, fomos ver a luta do Robin dos Bosques contra o Príncipe João e o malvado xerife de Nottingham. Acho que foi a minha estreia nas produções do Filipe la Féria… Foi giro, valeu entre outras coisas claro, pela cara de espanto da Joana perante um teatro a sério, no caso o Politeama.

No final, e para tornar completo este passeio, deliciamo-nos com uma dúzia de castanhas, quentes e boas, como se quer. Para ser perfeito, só faltou virem embrulhadas num canudo das páginas amarelas ao invés de um saquinho catita com publicidade ao MEO.

Tendo o programa matinal sido mais centrado na Joana, o Francisco teve direito a protagonismo à tarde, com foto no colo do Pai Natal.

Resumindo, um raro fim de semana a 4, com programas engraçados, poucas birras, frio mas com sol de inverno e, a prova de que o Natal está mesmo a chegar, com o Porto a perder e Benfica e Sporting a lideraram a Liga de Futebol. Até tenho medo que isto seja um sonho…

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Neve


E se pudesse disfrutar de uma viagem a Andorra sem ter de a pagar? Eu nem oiço a RFM, mas soube da existência de um concurso promovido por eles e pela sporski e lá vai disto, toca a concorrer. Amanhã revelam o vencedor… A esperança é a última a morrer, por isso, há que acreditar. Caso ganhe, o que é naturalmente improvável, postarei o que coloquei a concurso.

A neve foi uma descoberta tardia mais apaixonante. Fui a primeira vez há cerca de 10 anos, a partir daí comecei a ir uma vez por ano, às vezes até duas, mas nos últimos anos, a paternidade e a troika levaram a um abrandamento do ritmo e já não desço pistas há 3 anos.
O que é que me encanta na neve? Adoro a sensação de descer uma pista com música a tocar nos meus ouvidos, adoro deslizar na neve fofa, que afunda um pouco à minha passagem, serpentear por entre árvores pintalgadas de branco, aventurar-me por foras de pista mais ou menos conhecidos... Gosto de fazer uma pausa a meio da manhã e beber um chocolate quente num bar/abrigo, e claro, também me sabe bem uma cerveja gelada ou um vinho quente no fim do dia, já sem as botas que durante horas me vão apertando os pés.

Ir à neve é um prazer, se fosse de borla era um sonho...Amanhã já acordo…

Doce acordar


Ontem acordei sobressaltado por volta das 6:30, era a Joana a chamar-me, tinha tido um pesadelo, o anel dela tinha sido deitado para o lixo. Drama!

Depois de explicar que tinha sido um sonho, que o anel estava lá em casa e depois de ontem à noite ter virado a almofada para o lado dos sonhos bons, lá nos deitámos com esperança que os pesadelos não a perturbassem esta noite, e consequente não me perturbassem também a mim.

No entanto acabei por ser novamente acordado de madrugada, pelas 6:30. Era outra vez a Joana. Ensonado e cheio de frio lá fui até ao quarto dela pensando que seria mais um pesadelo… o truque de virar a almofada seria falível? Claro que não, desta vez fui acordado porque a Joana queria dar-me uma boa notícia, não tinha tido pesadelos, tinha tido um sonho bom, sonhou com o Algarve.

Enfim, uma versão infantil do provérbio, preso por ter cão e por não ter, neste caso, acordado por ter pesadelo e por não ter… 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Boys will be boys


Nunca fui muito de jogar jogos de computador, ou melhor, nunca fui daqueles aficionados que compram jogos atrás de jogos, assinam revistas e jogam online contra outras pessoas de diferentes paragens. No entanto, há um tipo de jogo que me consome desde a infância. Os jogos em que encarnamos a personagem do treinador de futebol.

Quando era pequeno lembro-me de sonhar, literalmente, com jogos deste tipo que ainda não existiam na altura. Tenho perfeita consciência de que uma noite sonhei que tinha um jogo em que poderia controlar a equipa do Benfica, com os nomes verdadeiros dos jogadores e com as suas características. Nessa altura isso não existia e tive de esperar largos anos para o poder fazer… Em haviam uns quantos jogos do género, quase todos britânicos. O primeiro que me lembro de jogar chamava-se tracksuit manager. Era baseado no Campeonato Mundial de 1990. Por defeito treinávamos a seleção da Inglaterra, com Gary Lineker, Peter Shilton, John Barnes, entre outros. Fazia-se a qualificação e depois o Mundial. Passei horas a jogar este jogo num spectrum emprestado, com a particularidade de apontar os jogadores que marcavam golos e todos os resultados que ia alcançando. Sempre gostei de compilar dados que depois não uso para nada…

O meu sonho veio a tornar-se realidade uns anos mais tarde, já depois de ter experimento outros jogos do mesmo género, em 1994 é criada a Sports Interactive e com ela é criado o mítico jogo Championship Manager. E pronto, eis que a partir desta data, passou a existir na minha folha de gastos um novo produto a ser consumido com periodicidade anual.

Primeiro foi a série Championship Manager, de 93 a 2003, salvo erro. Depois, com a separação da EIDOS e da SI, veio o atual Football Manager, FM, para os viciados. A separação das duas empresas levou a que a EIDOS ficasse com o nome do produto mais rentável, o Championship Manager mas a base de dados e o motor de jogo ficaram com a SI, que se juntou à SEGA para lançar a nova série de simuladores de futebol agora com o nome de Football Manager.

Mesmo sem muito tempo para jogar, a verdade é que ainda hoje sou consumidor destes jogos, confesso que por vezes às custas de tempo de qualidade que poderia passar em família… Mas eu sonhei com jogos deste tipo, se eles agora existem, sinto-me na obrigação de os jogar para ver se tive um sonho premonitório e se posso ser considerado vidente. Será esta uma desculpa muito esfarrapada?

Nova Iorque - toca e foge


Contas feitas foram 22 horas em Nova Iorque e cerca de 17 horas em aviões/aeroportos. Será que valeu a pena? Claro que sim, seja pelas ribs do virgil’s, pelas panquecas do Andrews, pelos presentes para os miúdos, pelo tempo a dois ou só mesmo pela fuga à rotina, valeu bem a pena e, se pudesse, repetia a dose todos os meses.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Lisboa que Amanhece

Mesmo não sendo munícipe, a minha cidade é Lisboa. Se não o fosse por razões fortes e válidas como as de nascimento (meu e da prole) seria por sentir alguma vergonha, ainda que alheia, em ser munícipe de Oeiras.

Mas a verdade é que me sinto alfacinha e que ultimamente tenho redescoberto a cidade através de passeios familiares onde tentamos passar o nosso gosto pela cidade também para a Joana.

Passeios por Alfama, caminhadas junto ao rio, danças no cais das colunas, aventuras na estufa fria, seja a pé, de carro ou de elétrico, a redescoberta da cidade em modo de cicerone para os filhos leva-nos a sítios que conhecemos desde sempre, mas que não apreciamos há anos. Esta redescoberta é só mais uma das maravilhas da paternidade.

Claro está, que tudo isto podia acontecer na mesma sem que eles acordassem às 7 da manha, mesmo aos fins de semana….

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Excesso de velocidade

Depois de uns dias de estaleiro com uma virose acompanhada de uma agradável otite, eis que me sinto finalmente a 100%.
Nos dias que passei em casa pude constatar que entrámos em Novembro  que o meu filho fez um ano e que daqui a dois meses estamos a celebrar mais um Natal. É impressão minha ou ainda ontem estava programar as férias do verão e anteontem nasceu o Francisco? O calendário está claramente em excesso de velocidade.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Lou Reed


Ontem morreu o Lou Reed, tinha 71 anos. Assusta pensar que era mais novo do que o meu pai…

Nunca ouvi muito os Velvet Underground e também não acompanhei com a devida atenção a carreira a solo do Lou Reed, no entanto era um artista de quem gostava muito. Tenho um enorme respeito por carreiras longas. Acho o prolongamento da exposição pública uma prova de humildade, de crença, de confiança e de carácter, mesmo depois de se ter alcançado algo memorável e muitas vezes, irrepetível.

Aprecio isto em várias artes, música, literatura ou mesmo no futebol. Achei bonito o João Pinto não ter pudor em acabar a carreira no Braga, assim como o Nuno Gomes ter jogado na segunda divisão inglesa na época passada. Isto depois de terem ambos carreiras bastante bem sucedidas. Esta forma de viver revela carácter e quem o tem, tem o meu respeito.

O Lou Reed também o tinha e daí este post e o meu lamento pela sua morte. Não conhecendo amplamente a sua obra, há uma música dele, ainda na fase Velvet, de que gosto muito. Heroin. Conheci-a na adolescência, através do filme the Doors, do Oliver Stone, numa banda sonora que ouvi até à exaustão. No meio de tantos temas o que mais rodava era o heroin, faixa 9 do cd que nem era meu, foi-me emprestadado e ainda deve andar lá por casa…

O tema fala da heroína e dos seus efeitos, sem apelo ao consumo mas igualmente sem hipocrisias e sem ser politicamente correcto. Há muitos versos que merecem destaque, desde o Heroin, it's my wife and it's my life até ao mais concreto: Ah, when the heroin is in my blood / And that blood is in my head / Then thank God that I'm as good as dead / Then thank your God that I'm not aware / And thank God that I just don't care. 

É um grande tema e um tema que muita curiosidade me suscitou nos tempos de descoberta, but thank God that I’m still unaware.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Momento Good Will Hunting


Um dos filmes que mais gostei de ver e que revejo sempre com prazer chama-se Good Will Hunting, O Bom Rebelde, em português. É um filme inspirador em vários aspectos  Começa por ser inspirador ainda antes de ter sido realizado, tudo porque, pelo menos assim reza a lenda, os dois argumentistas e futuros protagonistas do filme, Ben Affleck e Matt Damon resistiram a vender o argumento e consequentemente a sua participação no filme, passando inclusivamente por dificuldades financeiras, por acreditarem muito na equipa que eles queriam que realizasse e protagonizasse o filme. A equipa vencedora incluía, além dos já citados, outros nomes como Casey Affleck, Minnie Driver, o grande Robin Williams e o realizador Gus Vant Sant.

Quando finalmente o filme estreou, conquistou público e crítica e até a academia, tendo recebido o oscar para melhor argumento original.

Como é que o filme veio ontem à baila? É que ontem tive esperança de viver, na minha vida real, um dos episódios marcantes do filme. A páginas tantas o Psicólogo protagonizado pelo Robin Williams conta ao problemático Matt Damon uma peripécia que envolve um dos melhores jogos de basebol da história, um jogo para o qual ele tinha bilhete para ir ver. Finalizado o relato, com direito a simulação de home run com invasão de campo e tudo, o Matt Damon exclama algo do género, “Epá, não acredito que viste esse jogo ao vivo” ao que o Robin Williams diz, “Eu, eu não vi. Fiquei no bar por causa de uma miúda”. (agora que vi o clip, não é bem assim, mas não alterei o texto, foi de memória)

Ontem jogava o Benfica, liga dos campeões, jogo grande que, ainda não sendo decisivo, pode ajudar a decidir o apuramento. Eu tinha bilhete, mas preferi jantar em casa, com a minha mulher, os meus filhos e com um amigo e a sua namorada. Este amigo, para ajudar à festa, partilha comigo e com a Xana o fascínio pelo filme. Estava tudo alinhado e então confesso que tive esperança que fosse perder um jogo épico e que daqui a muitos anos pudesse dizer, epá tinha bilhete para esse jogo onde, e agora divago, o Cardozo marcou 3, um deles de bicicleta e onde o Ivan Cavaleiro, hoje estrela mundial e melhor jogador do mundo, se estreou na Champions pelo Benfica. Então alguém me perguntaria, “a sério viste isso ao vivo??” E surgia a minha resposta, com um misto de felicidade e amargura, “não, fiquei em casa a jantar com a família e uns grandes amigos que já não via há muito, tive uma noite ainda mais fantástica do que o jogo”.

A verdade é que a noite em casa foi muito melhor do que o jogo, mas infelizmente ainda não posso dizer que tive o meu momento Good Will Hunting. Quem falhou foi o Benfica, não fomos nós.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dar aulas


Lembro-me de, enquanto jovem sem saber o que fazer da vida, ter uma certeza, gostava de dar aulas, nem que fosse apenas um par de anos. Eu, que nunca tive uma grande certeza daquilo que queria fazer em adulto, sempre soube que gostaria de dar aulas.

Comecei por dar umas explicações, coisa que me deu bastante gozo e proporcionou algumas férias bem agradáveis, mas nunca dei aulas na verdadeira acepção da palavra.

A vida seguiu o seu rumo, acabei o curso, comecei a trabalhar e o projecto de dar aulas ficou esquecido. Lembrei-me hoje dele. Hoje estive perante uma turma de 20 formandos a dar 3 horas de formação. Nos últimos anos tenho dado bastante formação, mas sempre a grupos mais pequenos, raramente excedendo os 10 formandos. Hoje eram 20. Já mete respeito. Senti-me um professor e lembrei-me daquilo que dizia há uns anos. 

Afinal concretizou-se, ainda que com anos de atraso e nuns moldes muito específicos.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Dia Internacional da Gaguez


Hoje é o dia internacional dos gagos. Desconhecia a existência deste dia, mas como actualmente há dias para tudo, acabo por não estranhar a existência deste também.

Como alguém que tem esta deficiência da fala acabo por entender particularmente bem aquilo que esta notícia revela. As limitações na expressão oral, tão determinante no estabelecimento de relações pessoais e na vida em sociedade, conduzem a uma frustração que apenas quem padece de limitações semelhantes, compreende. Esta frustração aliada às balelas da sabedoria popular, “diz isso a cantar” ou “estás muito nervoso”, deixavam-me bastante irritado, confesso.

Mesmo tendo por vezes ficado irado, felizmente julgo não possuir qualquer trauma resultante da minha limitação, preferia não ser gago, mas vivo bem comigo e acredito que já controlo bem a gaguez. Com a idade o cérebro permite-nos dar a volta à coisa e procurar palavras com as quais sabemos que a nossa língua não nos trai. Claro que na infância e na juventude a coisa foi bastante diferente.

Como a notícia refere, o gago normalmente escolhe esconder a sua gaguez. Na escola tinha o pavor da leitura, mais tarde desenvolvi uma relação complicada com o telefone, na altura os nossos amigos não estavam tão perto como agora, para chegar a eles havia que ligar para o número de casa e muitas vezes quem atendia não era o amigo ou a amiga mas sim o pai ou mãe e lá ficava exposta a gaguez… Muitas vezes desliguei o telefone ao ouvir uma voz que não era a que desejava ouvir.

Enfim, passado é passado. No presente, como venho de uma família de gagos, tenho que lidar com a probabilidade dos meus filhos terem igualmente esta limitação na expressão oral. Felizmente a Joana, já com 4 anos, não parece ser gaga, falta ver o Francisco.

De qualquer forma, e sabendo que isto de educar nem sempre resulta da forma que idealizamos, tentarei dar-lhe sempre a confiança para que fale. Como diz o i, falar é a melhor terapia!