Hoje é o dia internacional dos gagos. Desconhecia a existência deste dia, mas
como actualmente há dias para tudo, acabo por não estranhar a existência deste
também.
Como alguém que tem esta deficiência
da fala acabo por entender particularmente bem aquilo que esta notícia revela. As limitações na expressão oral, tão determinante no estabelecimento de
relações pessoais e na vida em sociedade, conduzem a uma frustração que apenas
quem padece de limitações semelhantes, compreende. Esta frustração aliada às
balelas da sabedoria popular, “diz isso a
cantar” ou “estás muito nervoso”, deixavam-me bastante irritado, confesso.
Mesmo tendo por vezes ficado irado, felizmente julgo não possuir qualquer
trauma resultante da minha limitação, preferia não ser gago, mas vivo bem
comigo e acredito que já controlo bem a gaguez. Com a idade o cérebro
permite-nos dar a volta à coisa e procurar palavras com as quais sabemos que a
nossa língua não nos trai. Claro que na infância e na juventude a coisa foi
bastante diferente.
Como a notícia refere, o gago normalmente escolhe esconder a sua gaguez. Na
escola tinha o pavor da leitura, mais tarde desenvolvi uma relação complicada
com o telefone, na altura os nossos amigos não estavam tão perto como agora,
para chegar a eles havia que ligar para o número de casa e muitas vezes quem
atendia não era o amigo ou a amiga mas sim o pai ou mãe e lá ficava exposta a gaguez…
Muitas vezes desliguei o telefone ao ouvir uma voz que não era a que desejava
ouvir.
Enfim, passado é passado. No presente, como venho de uma família de gagos,
tenho que lidar com a probabilidade dos meus filhos terem igualmente esta limitação
na expressão oral. Felizmente a Joana, já com 4 anos, não parece ser gaga,
falta ver o Francisco.
De qualquer forma, e sabendo que isto de educar nem sempre resulta da forma
que idealizamos, tentarei dar-lhe sempre a confiança para que fale. Como diz o
i, falar é a melhor terapia!
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