segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Boys will be boys


Nunca fui muito de jogar jogos de computador, ou melhor, nunca fui daqueles aficionados que compram jogos atrás de jogos, assinam revistas e jogam online contra outras pessoas de diferentes paragens. No entanto, há um tipo de jogo que me consome desde a infância. Os jogos em que encarnamos a personagem do treinador de futebol.

Quando era pequeno lembro-me de sonhar, literalmente, com jogos deste tipo que ainda não existiam na altura. Tenho perfeita consciência de que uma noite sonhei que tinha um jogo em que poderia controlar a equipa do Benfica, com os nomes verdadeiros dos jogadores e com as suas características. Nessa altura isso não existia e tive de esperar largos anos para o poder fazer… Em haviam uns quantos jogos do género, quase todos britânicos. O primeiro que me lembro de jogar chamava-se tracksuit manager. Era baseado no Campeonato Mundial de 1990. Por defeito treinávamos a seleção da Inglaterra, com Gary Lineker, Peter Shilton, John Barnes, entre outros. Fazia-se a qualificação e depois o Mundial. Passei horas a jogar este jogo num spectrum emprestado, com a particularidade de apontar os jogadores que marcavam golos e todos os resultados que ia alcançando. Sempre gostei de compilar dados que depois não uso para nada…

O meu sonho veio a tornar-se realidade uns anos mais tarde, já depois de ter experimento outros jogos do mesmo género, em 1994 é criada a Sports Interactive e com ela é criado o mítico jogo Championship Manager. E pronto, eis que a partir desta data, passou a existir na minha folha de gastos um novo produto a ser consumido com periodicidade anual.

Primeiro foi a série Championship Manager, de 93 a 2003, salvo erro. Depois, com a separação da EIDOS e da SI, veio o atual Football Manager, FM, para os viciados. A separação das duas empresas levou a que a EIDOS ficasse com o nome do produto mais rentável, o Championship Manager mas a base de dados e o motor de jogo ficaram com a SI, que se juntou à SEGA para lançar a nova série de simuladores de futebol agora com o nome de Football Manager.

Mesmo sem muito tempo para jogar, a verdade é que ainda hoje sou consumidor destes jogos, confesso que por vezes às custas de tempo de qualidade que poderia passar em família… Mas eu sonhei com jogos deste tipo, se eles agora existem, sinto-me na obrigação de os jogar para ver se tive um sonho premonitório e se posso ser considerado vidente. Será esta uma desculpa muito esfarrapada?

Nova Iorque - toca e foge


Contas feitas foram 22 horas em Nova Iorque e cerca de 17 horas em aviões/aeroportos. Será que valeu a pena? Claro que sim, seja pelas ribs do virgil’s, pelas panquecas do Andrews, pelos presentes para os miúdos, pelo tempo a dois ou só mesmo pela fuga à rotina, valeu bem a pena e, se pudesse, repetia a dose todos os meses.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Lisboa que Amanhece

Mesmo não sendo munícipe, a minha cidade é Lisboa. Se não o fosse por razões fortes e válidas como as de nascimento (meu e da prole) seria por sentir alguma vergonha, ainda que alheia, em ser munícipe de Oeiras.

Mas a verdade é que me sinto alfacinha e que ultimamente tenho redescoberto a cidade através de passeios familiares onde tentamos passar o nosso gosto pela cidade também para a Joana.

Passeios por Alfama, caminhadas junto ao rio, danças no cais das colunas, aventuras na estufa fria, seja a pé, de carro ou de elétrico, a redescoberta da cidade em modo de cicerone para os filhos leva-nos a sítios que conhecemos desde sempre, mas que não apreciamos há anos. Esta redescoberta é só mais uma das maravilhas da paternidade.

Claro está, que tudo isto podia acontecer na mesma sem que eles acordassem às 7 da manha, mesmo aos fins de semana….

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Excesso de velocidade

Depois de uns dias de estaleiro com uma virose acompanhada de uma agradável otite, eis que me sinto finalmente a 100%.
Nos dias que passei em casa pude constatar que entrámos em Novembro  que o meu filho fez um ano e que daqui a dois meses estamos a celebrar mais um Natal. É impressão minha ou ainda ontem estava programar as férias do verão e anteontem nasceu o Francisco? O calendário está claramente em excesso de velocidade.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Lou Reed


Ontem morreu o Lou Reed, tinha 71 anos. Assusta pensar que era mais novo do que o meu pai…

Nunca ouvi muito os Velvet Underground e também não acompanhei com a devida atenção a carreira a solo do Lou Reed, no entanto era um artista de quem gostava muito. Tenho um enorme respeito por carreiras longas. Acho o prolongamento da exposição pública uma prova de humildade, de crença, de confiança e de carácter, mesmo depois de se ter alcançado algo memorável e muitas vezes, irrepetível.

Aprecio isto em várias artes, música, literatura ou mesmo no futebol. Achei bonito o João Pinto não ter pudor em acabar a carreira no Braga, assim como o Nuno Gomes ter jogado na segunda divisão inglesa na época passada. Isto depois de terem ambos carreiras bastante bem sucedidas. Esta forma de viver revela carácter e quem o tem, tem o meu respeito.

O Lou Reed também o tinha e daí este post e o meu lamento pela sua morte. Não conhecendo amplamente a sua obra, há uma música dele, ainda na fase Velvet, de que gosto muito. Heroin. Conheci-a na adolescência, através do filme the Doors, do Oliver Stone, numa banda sonora que ouvi até à exaustão. No meio de tantos temas o que mais rodava era o heroin, faixa 9 do cd que nem era meu, foi-me emprestadado e ainda deve andar lá por casa…

O tema fala da heroína e dos seus efeitos, sem apelo ao consumo mas igualmente sem hipocrisias e sem ser politicamente correcto. Há muitos versos que merecem destaque, desde o Heroin, it's my wife and it's my life até ao mais concreto: Ah, when the heroin is in my blood / And that blood is in my head / Then thank God that I'm as good as dead / Then thank your God that I'm not aware / And thank God that I just don't care. 

É um grande tema e um tema que muita curiosidade me suscitou nos tempos de descoberta, but thank God that I’m still unaware.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Momento Good Will Hunting


Um dos filmes que mais gostei de ver e que revejo sempre com prazer chama-se Good Will Hunting, O Bom Rebelde, em português. É um filme inspirador em vários aspectos  Começa por ser inspirador ainda antes de ter sido realizado, tudo porque, pelo menos assim reza a lenda, os dois argumentistas e futuros protagonistas do filme, Ben Affleck e Matt Damon resistiram a vender o argumento e consequentemente a sua participação no filme, passando inclusivamente por dificuldades financeiras, por acreditarem muito na equipa que eles queriam que realizasse e protagonizasse o filme. A equipa vencedora incluía, além dos já citados, outros nomes como Casey Affleck, Minnie Driver, o grande Robin Williams e o realizador Gus Vant Sant.

Quando finalmente o filme estreou, conquistou público e crítica e até a academia, tendo recebido o oscar para melhor argumento original.

Como é que o filme veio ontem à baila? É que ontem tive esperança de viver, na minha vida real, um dos episódios marcantes do filme. A páginas tantas o Psicólogo protagonizado pelo Robin Williams conta ao problemático Matt Damon uma peripécia que envolve um dos melhores jogos de basebol da história, um jogo para o qual ele tinha bilhete para ir ver. Finalizado o relato, com direito a simulação de home run com invasão de campo e tudo, o Matt Damon exclama algo do género, “Epá, não acredito que viste esse jogo ao vivo” ao que o Robin Williams diz, “Eu, eu não vi. Fiquei no bar por causa de uma miúda”. (agora que vi o clip, não é bem assim, mas não alterei o texto, foi de memória)

Ontem jogava o Benfica, liga dos campeões, jogo grande que, ainda não sendo decisivo, pode ajudar a decidir o apuramento. Eu tinha bilhete, mas preferi jantar em casa, com a minha mulher, os meus filhos e com um amigo e a sua namorada. Este amigo, para ajudar à festa, partilha comigo e com a Xana o fascínio pelo filme. Estava tudo alinhado e então confesso que tive esperança que fosse perder um jogo épico e que daqui a muitos anos pudesse dizer, epá tinha bilhete para esse jogo onde, e agora divago, o Cardozo marcou 3, um deles de bicicleta e onde o Ivan Cavaleiro, hoje estrela mundial e melhor jogador do mundo, se estreou na Champions pelo Benfica. Então alguém me perguntaria, “a sério viste isso ao vivo??” E surgia a minha resposta, com um misto de felicidade e amargura, “não, fiquei em casa a jantar com a família e uns grandes amigos que já não via há muito, tive uma noite ainda mais fantástica do que o jogo”.

A verdade é que a noite em casa foi muito melhor do que o jogo, mas infelizmente ainda não posso dizer que tive o meu momento Good Will Hunting. Quem falhou foi o Benfica, não fomos nós.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dar aulas


Lembro-me de, enquanto jovem sem saber o que fazer da vida, ter uma certeza, gostava de dar aulas, nem que fosse apenas um par de anos. Eu, que nunca tive uma grande certeza daquilo que queria fazer em adulto, sempre soube que gostaria de dar aulas.

Comecei por dar umas explicações, coisa que me deu bastante gozo e proporcionou algumas férias bem agradáveis, mas nunca dei aulas na verdadeira acepção da palavra.

A vida seguiu o seu rumo, acabei o curso, comecei a trabalhar e o projecto de dar aulas ficou esquecido. Lembrei-me hoje dele. Hoje estive perante uma turma de 20 formandos a dar 3 horas de formação. Nos últimos anos tenho dado bastante formação, mas sempre a grupos mais pequenos, raramente excedendo os 10 formandos. Hoje eram 20. Já mete respeito. Senti-me um professor e lembrei-me daquilo que dizia há uns anos. 

Afinal concretizou-se, ainda que com anos de atraso e nuns moldes muito específicos.